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  • prosa-verso-e-poesia
    27.07.2021 - 2 minutes ago

    Conto de verão n° 2: Bandeira branca

    Ele: tirolês. Ela: odalisca. Eram de culturas muito diferentes, não podia dar certo. Mas tinham só quatro anos e se entenderam. No mundo dos quatro anos todos se entendem, de um jeito ou de outro. Em vez de dançarem, pularem e entrarem no cordão, resistiram a todos os apelos desesperados das mães e ficaram sentados no chão, fazendo um mantinha de confete, serpentina e poeira, até serem arrastados para casa, sob ameaças de jamais serem levados a outro baile de Carnaval.

    Encontraram-se de novo no baile infantil do clube, no ano seguinte. Ele com o mesmo tirolês, agora apertado nos fundilhos, ela de egípcia. Tentaram recomeçar o mantinha, mas dessa vez as mães reagiram e os dois foram obrigados a dançar, pular e entrar no cordão, sob ameaça de levarem uns tapas. Passaram o tempo todo de mãos dadas.

    Só no terceiro Carnaval se falaram.

    — Como é teu nome?

    — Janice. E o teu? — Píndaro.

    — O quê?!

    — Píndaro.

    — Que nome!

    Ele de legionário romano, ela de índia americana.

    ***

    Só no sétimo baile (pirata, chinesa) desvendaram o mistério de só se encontrarem no Carnaval e nunca se encontrarem no clube, no resto do ano. Ela morava no interior, vinha visitar uma tia no Carnaval, a tia é que era sócia.

    — Ah.

    Foi o ano em que ele preferiu ficar com a sua turma tentando encher a boca das meninas de confete, e ela ficou na mesa, brigando com a mãe, se recusando a brincar, o queixo enterrado na gola alta do vestido de imperadora. Mas quase no fim do baile, na hora do Bandeira branca, ele veio e a puxou pelo braço, e os dois foram para o meio do salão, abraçados. E, quando se despediram, ela o beijou na face, disse “Até o Carnaval que vem” e saiu correndo.

    No baile do ano em que fizeram 13 anos, pela primeira vez as fantasias dos dois combinaram. Toureiro e bailarina espanhola. Formavam um casal! Beijaram-se muito, quando as mães não estavam olhando. Até na boca. Na hora da despedida, ele pediu:

    — Me dá alguma coisa.

    — O quê?

    — Qualquer coisa.

    — O leque.

    O leque da bailarina. Ela diria para a mãe que o tinha perdido no salão.

    ***

    No ano seguinte, ela não apareceu no baile. Ele ficou o tempo todo à procura, um havaiano desconsolado. Não sabia nem como perguntar por ela. Não conhecia a tal tia. Passara um ano inteiro pensando nela, às vezes tirando o leque do seu esconderijo para cheirá-lo, antegozando o momento de encontrá-la outra vez no baile. E ela não apareceu. Marcelão, o mau elemento da sua turma, tinha levado gim para misturar com o guaraná. Ele bebeu demais. Teve que ser carregado para casa. Acordou na sua cama sem lençol, que estava sendo lavado. O que acontecera?

    — Você vomitou a alma — disse a mãe.

    Era exatamente como se sentia. Como alguém que vomitara a alma e nunca a teria de volta. Nunca. Nem o leque tinha mais o cheiro dela.

    Mas, no ano seguinte, ele foi ao baile dos adultos no clube — e lá estava ela! Quinze anos. Uma moça. Peitos, tudo. Uma fantasia indefinida.

    — Sei lá. Bávara tropical — disse ela, rindo.

    Estava diferente. Não era só o corpo. Menos tímida, o riso mais alto. Contou que faltara no ano anterior porque a avó morrera, logo no Carnaval.

    — E aquela bailarina espanhola?

    — Nem me fala. E o toureiro?

    — Aposentado.

    A fantasia dele era de nada. Camisa florida, bermuda, finalmente um brasileiro. Ela estava com um grupo. Primos, amigos dos primos. Todos vagamente bávaros. Quando ela o apresentou ao grupo, alguém disse “Píndaro?!” e todos caíram na risada. Ele viu que ela estava rindo também. Deu uma desculpa e afastou-se. Foi procurar o Marcelão. O Marcelão anunciara que levaria várias garrafas presas nas pernas, escondidas sob as calças da fantasia de sultão. O Marcelão tinha o que ele precisava para encher o buraco deixado pela alma. Quinze anos, pensou ele, e já estou perdendo todas as ilusões da vida, começando pelo Carnaval. Não devo chegar aos 30, pelo menos não inteiro.

    Passou todo o baile encostado numa coluna adornada, bebendo o guaraná clandestino do Marcelão, vendo ela passar abraçada com uma sucessão de primos e amigos de primos, principalmente um halterofilista, certamente burro, talvez até criminoso, que reduzira sua fantasia a um par de calças curtas de couro. Pensou em dizer alguma coisa, mas só o que lhe ocorreu dizer foi “pelo menos o meu tirolês era autêntico” e desistiu. Mas, quando a banda começou a tocar Bandeira branca e ele se dirigiu para a saída, tonto e amargurado, sentiu que alguém o pegava pela mão, virou-se e era ela. Era ela, meu Deus, puxando-o para o salão. Ela enlaçando-o com os dois braços para dançarem assim, ela dizendo “não vale, você cresceu mais do que eu” e encostando a cabeça no seu ombro. Ela encostando a cabeça no seu ombro.

    ***

    Encontram-se de novo 15 anos depois. Aliás, neste Carnaval. Por acaso, num aeroporto. Ela desembarcando, a caminho do interior, para visitar a mãe. Ele embarcando para encontrar os filhos no Rio. Ela disse “quase não reconheci você sem fantasias”. Ele custou a reconhecê-la. Ela estava gorda, nunca a reconheceria, muito menos de bailarina espanhola. A última coisa que ele lhe dissera fora “preciso te dizer uma coisa”, e ela dissera “no Carnaval que vem, no Carnaval que vem” e no Carnaval seguinte ela não aparecera, ela nunca mais aparecera. Explicou que o pai tinha sido transferido para outro estado, sabe como é, Banco do Brasil, e como ela não tinha o endereço dele, como não sabia nem o sobrenome dele e, mesmo, não teria onde tomar nota na fantasia de falsa bávara...

    — O que você ia me dizer, no outro Carnaval? — perguntou ela. — Esqueci — mentiu ele.

    Trocaram informações. Os dois casaram, mas ele já se separou. Os filhos dele moram no Rio, com a mãe. Ela, o marido e a filha moram em Curitiba, o marido também é do Banco do Brasil... E a todas essas ele pensando: digo ou não digo que aquele foi o momento mais feliz da minha vida, Bandeira branca, a cabeça dela no meu ombro, e que todo o resto da minha vida será apenas o resto da minha vida? E ela pensando: como é mesmo o nome dele? Péricles. Será Péricles? Ele: digo ou não digo que não cheguei mesmo inteiro aos 30, e que ainda tenho o leque? Ela: Petrarco. Pôncio. Ptolomeu...

    - Luís Fernando Veríssimo

    #amor#literatura#conto#vida#cronica#humor#prosa#brunno#Veríssimo #Luis Fernando Veríssimo #Luís Fernando Veríssimo
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  • s4iaskinny
    27.07.2021 - 9 minutes ago

    i didn’t binge yesterday and lost 400 grams ^.^

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  • turtlesunrelated
    27.07.2021 - 16 minutes ago

    Therapist: taking baths or showers can help ease anxiety.

    Me in the bath:

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  • richard-is-bored
    27.07.2021 - 19 minutes ago

    When you're high as all fuck and suddenly remember some depressing shit

    #bored#funny#lol#humor#joke#meme #this isn't funny #seriously it's not #pls don't reblog this lol #belial#basket case#reaction image
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  • rachelbeingchatty
    27.07.2021 - 30 minutes ago

    Spiders, For the Record

    Spiders, For the Record

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  • pineapplejuicepisskink
    27.07.2021 - 34 minutes ago

    Songs just don't hit as hard after listening to the wii theme for an hour.

    #gen z humor #gen z mood #wii music
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  • arrogantlittlethuggirl
    27.07.2021 - 45 minutes ago

    After reading a buttload of anti Destiel posts my head kinda hurts lol, i mean do i think Destiel shippers are insane and extra, yes in their behaviours, but like i think the problem really is Castiel, that they had this angel obsessed with a man and then made him sexual instead of keeping him asexual, but only paired him with women, he is genuinely a pretty epic bury the gays lmao.

    #oc #yes this is funny to me #destiel wank #i am sorry if it makes you cry but i have a sense of humor #and nothing is funnier than this shitshow fandom #fandom wank
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  • assinahat
    27.07.2021 - 51 minutes ago

    Does anybody else have a part of their phone gallery dedicated specifically to cursed pictures they took themselves, or is it just me???

    #I've got some good stuff in there #I think anyway #bad humor#meme#humor
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  • mynameisanakin
    27.07.2021 - 58 minutes ago

    Referencing this in writing? More likely than you think.

    #robe drop {ooc} #humor and crack
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  • eugeniofouz
    27.07.2021 - 59 minutes ago

    Yolanda, presumida

    twitter: @eugenio_fouz Yolanda Díaz, @Yolanda_Diaz_ (La Coruña, 1971) * Este es uno de las muchos buenos momentos de @Twitter     -Yolanda Díaz, abogada (ministra de Trabajo)- tuit compartido por Rosa Belmonte, @rosabelmonte __    

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    #@rosabelmonte #@twitter #@Yolanda_Diaz_ #humor#presumida#Rosa Belmonte#Yolanda#Yolanda Díaz
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  • programmerhumour
    27.07.2021 - 1 hour ago

    I suffered the same (in interview)

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  • rachelbeingchatty
    27.07.2021 - 1 hour ago

    Where Does Chocolate Milk Come From?

    Where Does Chocolate Milk Come From?

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  • shipping-ruined-my-life
    27.07.2021 - 1 hour ago

    i've been in a creative slump for the past week(s) but i might be getting back into it now i feel better in general

    #even added some humor to my wip #so glad i didn't slug through and actualy took a real break
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  • captain-mozzarella
    27.07.2021 - 1 hour ago

    Hear me out

    Ok so some scolar dude has a grudge agains one of the links and trappes them. The only way to get out is to solve a puzzle.

    But the puzzle is a math question cuz most of the chain never went to school.

    Then there's sky who's like "really, I know I'm bad at math but this is just the multiplication table"

    #This scenario has been stuck in my head for ages #lu#linked universe#Sky#the chain#Math #My humor relies on the fact that yall can read my mind #Prompt #I think it's a prompt #Scolar dude with a grudge
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