#ozias Tumblr posts

  • afogueada
    17.10.2021 - 22 hours ago

    É necessário observar o que entra, mas nunca descuidar do que sai.

    Tudo o que entra é digerido, selecionado e até ignorado. Por isso, o que contamina o ser humano são os frutos do coração, é o que vem de dentro pra fora.

    Uma questão pode ser muito vaga, simples de se resolver, e basta uma fagulha descuidada, da chama indomável que chamamos de língua, para iniciar um incêndio.

    As pessoas temem a corrupção de suas almas devido ao mal que as cerca quando, na verdade, o mal está dentro de cada um, apenas esperando uma brecha para ser libertado.

    A necessidade de uma peneira fina nas palavras ditas nunca foi tão evidente. Essências são perdidas, sorrisos se perdem na doença do século e vidas são tomadas fora do tempo. Tudo isso por falta de filtro, palavras ditas ao léu.

    Como uma questão lógica, tudo o que procuramos não absorver por acreditar ser extremamente prejudicial a nossa própria vida, certamente não deve ser lançado ao próximo. O que dói em mim pode doer em dobro no outro.

    Sendo assim, é preciso filtrar as buscas, a água, pensamentos e, principalmente, a língua.

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  • afogueada
    16.10.2021 - 1 day ago

    Estou de mudança, sabe como é? Embrulhar as louças e vidros, colocar em caixas e escrever "cuidado, frágil" no que se deseja preservar.

    E como todo processo natural de mudança, faço uma seleção do que não quero levar adiante. Sim, algumas coisas devem ficar para trás, pois já não serão úteis na nova casa.

    Aqueles artefatos esquecidos em baús velhos e empoeirados, álbuns de fotografias manchadas e embaçadas, o toca disco, os discos.

    Tudo deve ser selecionado com muito cuidado, pois nosso coração enganoso e teimoso pode distorcer a necessidade das coisas. Acreditamos não precisar de algo, que pode vir a ser útil em um futuro próximo.

    Mas é necessário o esforço da análise para deixar todo a tranqueira para traz. Tudo aquilo que não pode seguir caminhando em nossa vida, mas a gente sempre arruma uma gaveta da bagunça para não precisar jogar nada fora.

    Mudanças são necessárias para que ocorra o crescimento. As tralhas não ornam com o espaço novo, os móveis planejados e o novo vaso de flor da janela. É hora de seguir em frente, de deixar o lixo na calçada para ser recolhido.

    Vez ou outra, pode ser que você eu me lembre do que guardava. O importante é a quebra do vínculo; uma memória esporádica já não vai afetar meus sentidos.

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  • afogueada
    15.10.2021 - 2 days ago

    Deixar de se enganar é algo vital para sobreviver ao caos de ser sensível demais.

    Em um momento de fraqueza, alguém chega de mansinho, floreia ideologias que não são suas e você se força a acreditar para caber naquele mundo que não é seu.

    E o erro não está em você e muito menos nessa pessoa. Sua verdade só foi camuflada demais, a ponto de todos se perderem no caminho.

    A tendência é sempre procurar culpados nesse tribunal intermitente que chamamos de vida. Não há culpados. Melhor, todos carregam a própria cruz, as próprias mãos manchadas de sangue.

    Porquê a verdade é que, mesmo sem querer, todo mundo fere alguém, inclusive a si mesmo. E feridas criam casca, talvez quelóides, mas sempre se curam quando aceitamos o processo.

    "Nunca tive intenção de machucar ninguém". Tudo bem, eu também não. Mas é inevitável, está no sangue, na natureza humana egoísta e impulsiva. Esta é a verdadeira inimiga; é ela quem merece morrer.

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  • rwby-necromancer-au
    11.10.2021 - 6 days ago
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  • rwby-necromancer-au
    11.10.2021 - 6 days ago
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  • afogueada
    05.10.2021 - 1 week ago

    Abandono

    Largado no chão

    Travesseiro de pedra

    Lágrimas secas

    D e s p e d a ç a d o

    Fragmentos de um amor

    O que é mesmo isso?

    Já não se lê sobre...

    Onde se escondem os versos

    A poesia, a alegria, o lírico?

    Reflexões medonhas

    Chamam medíocre

    Da primavera fora de época

    Por onde anda o amor?

    Ainda existe?

    Já não se lê sobre...

    Não gostaria de encontrá-lo

    Numa dessas esquinas

    Sigo em direção oposta

    Como todos os outros da vila

    E, assim, passa despercebido.

    Ninguém mais enxerga

    É demais para se suportar.

    Por onde anda o amor?

    Inspiro

    Expiro

    Respiro

    Nada.

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  • rwby-necromancer-au
    04.10.2021 - 1 week ago
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  • afogueada
    04.10.2021 - 1 week ago

    Pareço caminhar em direção a uma tempestade. Estou em uma velha estrada, calma e parada, onde dos dois lados só existem pastos e animais correndo para se abrigar da chuva que começa a cair. Não estou assustada. Sei que meu moletom vai se molhar, pode ser que eu fique resfriada, mas eu não consigo não caminhar em direção a todo esse cenário que assustaria a massa. Mas eu sou assim, peculiar. Vejo raios, sinto o vento contra mim, quase me jogando para trás. E continuo caminhando, em direção a tempestade. Sabe, muitas pessoas iriam olhar o desespero do gado, os pássaros batendo suas asas com toda força, as árvores pedindo clemência diante do vendaval que quase as divide em pedaço, os galhos que começam a cair e as gotas de chuva caindo como pedras. Mas eu só consigo ver intensidade, profundidade, uma presença tão forte que faz temer todos os sons do campo. Eu quero me molhar nessa chuva, mesmo que as gotas caiam como pedras. Eu quero sentir o vento bater, mesmo que esteja chicoteando. Quero ver os raios desenhando o céu do oriente ao ocidente, produzindo seu espetáculo. Sabe qual a diferença entre um ser como eu e as outras pessoas? É que eu gosto dessa adrenalina de estar no olho do furacão e não saber como será o amanhã. É que, quando a tempestade acaba, eu espero pela próxima ansiosamente. É que eu só sei ver a beleza no caos. Mas não em qualquer um.

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  • rwby-necromancer-au
    03.10.2021 - 2 weeks ago
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  • afogueada
    03.10.2021 - 2 weeks ago

    E se fosse eu?

    Você estaria a beira do precipício, pensando, repensando, surtando.

    E se fosse eu?

    Estaria desesperado, aflito, tentando adivinhar onde foi que me meti.

    E se fosse eu?

    Seu mundo ia cair, abrir o chão debaixo dos seus pés.

    Mas, não sou eu.

    Logo, é como se não tivesse acontecido nada.

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  • afogueada
    02.10.2021 - 2 weeks ago

    Quando fecho meus olhos,

    é você quem eu vejo,

    sinto até seu perfume e

    posso sentir o calor da sua pele.

    Ouço a melodia de sua voz

    e me desmancho inteira.

    Todo mundo já viu e sabe:

    você me tem, eu sou sua.

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  • rwby-necromancer-au
    01.10.2021 - 2 weeks ago
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  • rwby-necromancer-au
    01.10.2021 - 2 weeks ago
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  • rwby-necromancer-au
    01.10.2021 - 2 weeks ago
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  • rwby-necromancer-au
    01.10.2021 - 2 weeks ago
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  • afogueada
    01.10.2021 - 2 weeks ago

    Quando o amor é real, nós sabemos nos colocar no lugar do outro, apesar das próprias feridas. Entendemos que existem momentos onde duas cabeças pensam menos do que uma. Por vezes, a mesma pessoa que tem o poder de melhorar seu dia, vai ser a mesma que vai machucar mais do que qualquer outra. Tudo depende do quanto sua guarda está baixa, do quanto você a deixou entrar. E isso não quer dizer que a pessoa te ame menos. Talvez ambos precisem apenas de um espaço saudável e bem arquitetado.

    Quando o amor é real, separamos um tempo, respiramos novos ares, processamos as feridas e sempre voltamos buscando a cura mútua. Porque sabemos que o afastamento não é antídoto e sim veneno. É o veneno de enganar a si mesmo com a afirmação de que não se sente, não vale a pena lutar e nem sequer manter por perto.

    Quando o amor é real, abrimos espaço para a humildade, o perdão e a empatia. Afinal, é sempre mais fácil culpar a reação de alguém do que assumir a responsabilidade do que fazemos com ela. Mas o verdadeiro amor é mais complexo que isso, pois exige sacrifícios, abrir da razão, da lógica e de si mesmo.

    Quando o amor é real, a conexão se torna indestrutível. Sendo assim, se abro feridas em alguém que amo, acabo por ferir a mim. Isso nos leva ao cuidado recíproco, ação e reação, dar e receber natural e automaticamente.

    Quando o amor é real, ele não acaba e muito menos usa os dias ruins ou o lado escuro do outro como desculpa.

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  • afogueada
    30.09.2021 - 2 weeks ago

    Já não sei quantos graus está fazendo. É muito quente durante o dia e muito frio a noite. Isso está me matando. Eu preciso encontrar a saída, preciso dar um fim em tamanha agonia. Sei que esperam muito de mim, mas ninguém sabe o que é caminhar sem destino nessa imensidão interminável de areia.

    Estou caminhando há meses e tudo o que consegui encontrar foi um cacto solitário, um tanto alto, escuro e que implorava por cuidados. Algumas cicatrizes estavam em evidência, provavelmente feitas por algum outro viajante que, ao se alimentar, seguiu seu caminho sem exitar.

    Dava pena de olhar, pra quem olha depressa. Mas eu olhei devagar, eu entendi só de olhar e é como se aquele muro de espinhos não fosse tão assustador quanto parecia. Eu precisava fazer alguma coisa. Eu queria fazer.

    Eu não tinha água suficiente para regar aquele pobre ser vivo abandonado. Há 6 dias eu vagava desesperadamente a procura de uma poça d'água que fosse. E por algum motivo eu não queria me alimentar do cacto, queria salvá-lo. Não queria ser como qualquer outro viajante. Não queria feri-lo. É como se eu pudesse ouvir seu clamor:

    "Ei, salve-me. Preciso de água. Preciso ser regado. Só queria que alguém quisesse ver minhas flores."

    De fato, debaixo de todos os espinhos e das cicatrizes parecia existir uma imensidão a ser mostrada. Ele precisava da água para que pudesse florescer. Precisava que alguém fosse paciente o bastante para o ver desabrochar. Mas só sabiam tirar vantagem dele, pobre criatura.

    Todos os dias a sombra dele me abrigava, mesmo que isso não impedisse o calor escaldante e algumas tempestades de areia que pareciam intermináveis. Eu saía pela noite fria, coberta de peles e amargura, a fim de encontrar água suficiente para os dois, mesmo sabendo que é a noite que as serpentes do deserto saem a procura de comida. E serpentes sempre foram meu maior medo.

    Será possível? De repente eu não quero encontrar uma saída, quero permanecer aqui para salvar este ser misterioso. Eu só preciso encontrar água. Ele precisa ser regado. Chega a ser insuportável ter de me esconder nas sombras da noite para beber um gole de água do cantil, na tentativa de, provavelmente, protegê-lo de uma cena torturante. Mas, de alguma forma, sei que ele sabe que faço isso. E dói. Até me culpo por isso. Não quero feri-lo. É melhor caminhar mais.

    (...)

    Eu estava a ponto de desistir. Mas, sempre que voltava da peregrinação noturna, me sentia abraçada por aquela criatura tão frágil e ao mesmo tempo tão forte. Quisera ter tamanha força e perseverança. Talvez não estaria em meio a um deserto neste exato momento.

    Começamos a tecer diálogos, canções e compartilhamos histórias diversas. Eu juro que podia ouvir cada entonação, cada palavra, cada sílaba. Eu não deixava nada escapar pois, caso não tivéssemos muito tempo de vida restante, eu morreria ali, feliz por existir uma conexão real entre eu e alguém. Quer dizer, alguma coisa. Estamos falando de uma planta aqui, não é?

    Foi então que ele me disse:

    - Sabe enganar a visão das serpentes?

    E eu sabia. Mas não estive disposta, até aqui, a encarar uma caminhada sem as peles que aqueciam minhas noites frias.

    - Eu conheço muita coisa que você conhece. E ainda assim você me deixa te ensinar. Mas, desta vez, me diga como fazer.

    Ele ficou em silêncio por um tempo. Imagino se estava observando, desejando me dar toda a água que ele podia oferecer simplesmente para me salvar da morte. Então ele apenas respondeu:

    - Você precisa caminhar agora. Eu sou seu, estarei esperando quando voltar.

    Essas palavras invadiram meu ser de uma maneira atômica. Cada molécula do meu ser vibrava e eu não sabia dizer o porquê, exceto pelo fato de que sim, eu sabia exatamente o que estava acontecendo. Mas eu precisava, agora mais do que nunca, encontrar água.

    Então me levantei e procurei manter o foco e a atenção nas possíveis ameaças da madrugada. De repente, e de maneira coincidente, ali estava ela, há alguns metros: a serpente. Parecia minúscula e indefesa de onde estava, mas eu soube que poderia ser mortal. Eu não podia correr e muito menos me defender. Melhor dizendo, eu não reagia mais. Estava fraca, debilitada, sozinha e longe do meu cacto (que agora era meu).

    Comecei a me despir, lentamente, das espessas peles que me cobriam. Ela observava, atenta, sei que prestava atenção a cada minucioso movimento de minhas mãos. Até minha respiração parecia estar sendo contada. O frio era sufocante, mas eu precisava salvar minha vida para que, assim, pudesse salvar a dele. E foi aí que ela desapareceu. Simplesmente tomou a direção oposta e parecia ter escorregado pela duna como se algo a assustasse. Meu maior medo fugiu de mim.

    (...)

    42 dias se passaram. Não pense que a água do cantil foi suficiente. Eu encontrei algumas poças d'água, cheguei a me emocionar e levar o máximo de água possível até o meu cacto, que agora era meu.

    Mas não havia alimento sólido suficiente e eu já não conseguia caminhar tanto. Sentia meus órgãos trabalhando desacelerados, como se implorassem por vida. E estavam, de fato, morrendo.

    Foi então que eu entendi. Eu podia regá-lo. Vê-lo morrer, me mataria. Mas, se eu morresse em sua frente, sei que isso o mataria também.

    Foi então que tomei coragem, puxei uma lâmina que guardava há tempos no bolso, praticamente sem corte, e perguntei gentilmente e com lágrimas nos olhos:

    - Posso?

    Por incrível que pareça, ele respondeu alegre:

    - Sempre.

    Eu abri uma brecha em seu corpo e, antes que ele pudesse gritar eu o abracei. Senti cada espinho penetrar meus órgãos vitais, minhas veias e artérias.

    Eu sangrava exponencialmente e a cada minuto sentia a vida se esvaindo. Senti o que ele sentia todo esse tempo, com a diferença que ele morria gradativamente.

    Nos olhamos pela última vez e sangramos juntos até a morte. Tenho certeza que assim como eu ele desejava, a cada gota restante, que na próxima vida pudéssemos, quem sabe, encontrar água sem tem que sangrar.

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  • afogueada
    27.09.2021 - 2 weeks ago

    Primeiramente, quero começar pedindo desculpas por tanta fragilidade e vulnerabilidade, que talvez sejam motivos pelos quais eu sempre me exponho tanto. Em teoria, não preciso me desculpar por isso, por ser quem eu sou, por sentir tanto, mas peço mesmo assim.

    Senti que preciso colocar um fim nesse caos, nesse transtorno que carrego em meus versos, em minhas entrelinhas, nas referências. Preciso colocar ponto final no que me machuca: eu.

    Reconheço que não sou tão experiente na vida, não viajei para tantos lugares quanto gostaria, não experimentei todas as comidas que tenho vontade e muito menos conheci todos os animais exóticos que admiro. Não pintei todas as paisagens que queria visitar, porque não visitei. Ainda não deu tempo de viver nada disso. Tem uma vida toda entalada na minha garganta, aquela que eu gostaria de viver.

    Eu acredito que não vai dar tempo. Se depender de mim, não vai dar tempo, eu não tenho mais tempo. A exaustão que toma conta de mim é consumidora e avassaladora. É um fardo grande demais agora.

    Mas meus dedos escrevem desastres significantes demais para serem ignorados. Eu não posso permitir que isso aconteça. Eu sou muito verdadeira no que sinto, no que falo e no que faço e, como tudo na vida, isso tem pontos positivos e negativos.

    Todos nós machucamos alguém no percurso da vida, intencionalmente ou não. E eu não tive a intenção de machucar. Prefiro ser a única a sair machucada, sempre pensei mais nos outros do que em mim de qualquer forma. Acho que talvez seja esse o motivo de eu contar quantos corações eu partiria diante de uma escolha, e sempre escolher a opção menos destrutiva. Mesmo que destrua a mim mesma.

    Isso é lindo, confesso. É poético, altruísta, nobre. Exceto pelo fato de que não, não é nada disso. É destrutivo, tóxico. É suicídio, de fato é.

    Minha poesia está morta, porque agora eu vivo na pele.

    Me desculpe mais uma vez.

    Eu morri.

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